A odisséia da Maratona de Amsterdã

Olá amigos e amigas, como estão?

Finalmente arrumei um tempo para escrever sobre a odisséia da minha primeira maratona, em breve vou escrever como foi a viagem pela Europa.

Sobre a corrida, tudo começou no dia anterior, cheguei em Amsterdã no sábado de manhã, por volta das 11h, arrumei minhas coisas no hotel e aluguei uma bicicleta para ir até o estádio olímpico buscar o meu kit(chip, camisetas, etc), o tempo estava frio e variava entre sol e nuvens, vez ou outra caia uma garoa leve, mas nada que chegasse a incomodar. No fim da tarde me encontrei com a minha amiga Fê Ogochi e ela me levou pra conhecer alguns lugares pela cidade, paramos em um café para tomar alguma coisa e depois de andar mais um tempo fomos jantar em um restaurante muito legal, ela até me convenceu a tomar uma taça de vinho com ela hehehe.

Voltei para o hotel 22h30 e arrumei todas as coisas para o dia da maratona, coloquei o chip no tênis, o número de peito na camiseta, separei todos os saquinhos de gel, minha mochila com meus documentos(que ficaria no guarda volumes), meu short e minha blusa de corrida para o frio. Enfim, tudo pronto, chegou o dia! Porém, o primeiro contratempo, as tomadas na Europa só possuem pinos redondos, não tinha quadrado, e o carregador do meu relógio era quadrado… E agora? Bom, a sorte é que o carregador é um cabo USB, o mesmo do iPhone, que tinha o pino redondo. Problema resolvido, tirei o carregador do iPhone e coloquei o relógio. Como iria usar o GPS do relógio por 4h na maratona achei melhor deixar ele carregando a noite toda, para não correr o risco da bateria acabar no meio da prova.

A largada da corrida seria 9h45 e eu coloquei meu iPhone para despertar às 6h, assim eu teria tempo para comer alguma coisa, pegar o tram até o local da largada, me alongar e me aquecer antes da prova, além de deixar a mochila no guarda volumes, só que aí começou a correria, literalmente. Meu iPhone desligou no meio da noite e não despertou, eu acordei sozinho às 9h40! Fiquei desesperado, faltava apenas 5 min pra largada e eu estava no quarto do hotel ainda. Coloquei minha roupa, meu tênis, peguei o gel e a mochila e saí correndo, na porta do hotel tinha um taxi e eu entrei nele e indiquei o caminho para o taxista, que era mais devagar do que uma lesma, enfim, fomos até onde dava, pois as ruas próximas estavam bloqueadas por causa da corrida.

Desci do taxi e sai correndo até o estádio olímpico, onde seria a largada da corrida, cheguei lá e os organizadores me disseram que o portão já estava fechado por causa da largada da meia maratona, que seria em pouco minutos, eu agachei no chão e comecei a chorar, um ano de treinamento, debaixo de chuva, sol, frio e eu iria perder a corrida. De repente olhei para o lado e vi duas meninas entrando no estádio pelo acesso que levava as arquibancadas, saí correndo e subi as escadas, cheguei na arquibancada e olhei pra dentro do estádio, tinha alguns organizadores lá dentro, gritei pra eles perguntando se eu poderia pular, eu estava com o numero de peito na camiseta e eles viram que eu era um corredor, eles deixaram eu pular e me disseram que a largada já estava encerrada, mas que se eu quisesse correr eu poderia seguir as faixas azuis pintadas no chão, pois elas indicavam o caminho. Liguei meu relógio e comecei a correr, com a mochila nas costas, sem aquecimento, sem alongamento e sem ter comido nada, uma loucura.

Eu estava correndo sozinho, pois todos os atletas já haviam partido faz tempo, as pessoas me viam correndo com a mochila nas costas e me incentivavam, gritavam meu nome. As alças da mochila raspavam no meu pescoço e queimavam minha pele, durante toda a prova tive que segurar as alças para que a dor diminuísse, que sufoco! A adrenalina fez com que eu eu corresse mais rápido do que o ritmo pretendido, no 15km comecei a ultrapassar os últimos colocados, cheguei na metade da prova em menos de duas horas, continuei correndo até que no 31km meu joelho direito começou a doer demais, tive que parar, andei. Nesse momento uma cãibra na outra perna me pegou de surpresa, parei de novo para me alongar e voltei a caminhar, a dor era quase insuportável no joelho mas eu não poderia parar.

Nesse momento me veio a cabeça a minha família, meus amigos e professores, que me incentivaram e apoiaram durante todo o ano, outros atletas passavam por mim e me davam tapinhas nas costas, diziam para eu não desistir. Tudo isso me deu forças para continuar, comecei a caminhar e depois de alguns metros tentei correr, a cãibra pegou de novo, voltei a caminhar. Depois de 1km andando resolvi tentar correr de novo, consegui, aí não parei mais. Crianças me davam água, adultos me davam bolachas, pão, muito incentivo, não tinha como não terminar.

Como perdi a marcação do chip na largada, meu tempo oficial na prova foi prejudicado, mas meu relógio marcou, 4h47min, com muita dor, superação, orgulho e força de vontade. Consegui! Completei minha primeira maratona, apesar de todos os contratempos. Ao entrar no estádio olímpico, passei na chegada e ouvi o locutor dizendo meu nome, me abaixei e não contive a emoção, chorei de novo.

Peguei minha medalha, pedi para um médico tirar uma foto e liguei para minha família, chorei de novo(já disse que eu sou chorão? =P), não tem nada mais emocionante do que esse contato após uma conquista, um desafio superado. Abaixo algumas fotos da prova e depois. =)

BM

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27 pensamentos sobre “A odisséia da Maratona de Amsterdã

  1. Milla Buzaid disse:

    Nossa Bruno, PARABÉNS!! É emocionante seu relato! Por ter perdido a hora, pulado o muro, corrido com a mochila……e mesmo assim, completado a prova!
    Parabéns pelo esforço, pela força de vontade, por sua determinação e pela CONQUISTA!!
    Guarde essa medalha com todo carinho que ela merece. Só vc sabe o que passou pra conseguí-la, mais ninguém!
    Olha, torço pra ter vc em Chicago com a gente, viu!!! Vamos???
    Beijos!!

  2. Cristiane disse:

    Parabéns! (x1000)

    “Se você quiser alguém
    Em quem confiar
    Confie em si mesmo!

    Quem acredita
    Sempre alcança…”
    Mais uma vez – Legião Urbana

  3. Bruno, este foi o melhor texto seu que eu já li. Realmente incrível. Eu me senti na cena, consegui sentir todas as suas emoções e obviamente fiquei mto emocionado. Mostre este texto pra mãe também pra ela ficar ainda mais orgulhosa de vc!

    Parabéns, cara. Vc não sabe o quanto vc ensina as pessoas, inclusive ao seu irmão mais velho aqui.

    Grande abraço!

  4. Bruno Mansano disse:

    Valeu, mano! Também gostei do texto, mas a história ajuda bastante. =)

    Abração

  5. Luiz Colmenero disse:

    Emocionante! Muito bom mesmo!!

  6. Monalisa disse:

    Bruno… nossa, nem sei o que dizer. Eu comecei a ler achando que era uma história comum, e tô aqui chorando igual idiota. (Ps: o Licke e o Tiago estão me zuando por isso, você me deve essa).

    1- Estou feliz que sua amiga tenha te convencido a tomar a taça de vinho!
    2- Não deve ser nada fácil estar tão vulnerável em um lugar tão estranho, só imagino como estava se sentindo. Muito bom você ter lembrado da sua família e amigos, tenho certeza que eles são tão especiais quanto você.
    3- Estou mais feliz ainda porque você foi um orgulho… mesmo quando tudo deu merda foi correr e correr, e esse é um dos seus talentos garoto, parabéns!

  7. Thais Sicchieri disse:

    Chorei tb! ahahahaha

    Bruno, parabéns mesmo. Como alguem escreveu ai em cima, só a gente sabe quanto sacrifício faz pra conseguir o que queremos, não é?

    Bjos, Thais

    Dica valiosa pra próxima viagem: WAKE UP CALL DO HOTEL. Já ouvir falar? ehehe Assim vc não perde o horário!

  8. Deia disse:

    Bruninho!!! Historia pra contar! Isso sim eh viver!

  9. Filipe disse:

    Bruno, pessoas normais teriam desistido lá no hotel, mas você, com seu espírito guerreiro, foi em frente, relembrou os inúmeros treinos, o apoio da família e dos amigos, superou todos esses obstáculos e conseguiu completar a prova. Parabéns!
    O texto está muito bacana. Fiquei aqui imaginando cada cena de mais essa conquista.

    Abração,
    Filipe

  10. Jaque disse:

    Que lindo isso, Bru.

    Tudo poderia ter sido mais fácil, mas provavelmente o gosto desta vitória não teria sido tão imensa. Esse tipo de coisa faz com que o valor sobre as coisas e pessoas aumente cada vez mais. Sua família, seus amigos e todo mundo está orgulhoso de você.

    Parabéns, Corinthians!

    Beijão.🙂

  11. Nubia disse:

    Adorei!!!
    Você é especial!!!!
    Beijos

  12. […] O ano de 2010 ficará marcado para mim como um dos melhores da minha vida, muitas coisas inusitadas aconteceram, conheci muita gente, fiz muitos amigos e até troquei de emprego. Foi também em 2010 que corri minha primeira Maratona e para quem não sabe o que aconteceu vale a pena ler o post “A odisséia da Maratona de Amsterdã“. […]

  13. […] The busiest day of the year was 28 de outubro with 216 views. The most popular post that day was A odisséia da Maratona de Amsterdã. […]

  14. Luciano Linhares disse:

    Oi Bruno,
    só agora tomei conhecimento do seu blog e de sua fantástica aventura em Amsterdam. Parabéns por sua conquista, são poucos os que conseguem completar uma maratona. Fiquei emocionado com sua persistência, e força de vontade, que o fizeram seguir em frente mesmo depois de tudo começar a dar errado. A determinação que mostrou o levará ainda a muitas conquistas nesta vida, tenha certeza.
    Lendo seu relato lembrei-me do que aconteceu-me. Também corri esta maratona, e na última hora as coisas também começaram a sair do planejado. Cheguei 4 dias antes, na Quarta, para descansar e acostumar-me c/ o clima e diferença de horário. Tudo certo até o Sábado, quando o trem saiu dos trilhos. Por um engano do dono do restaurante, fiquei sem jantar no Sábado. Nada de massas, carboidrato, etc. No Domingo o café atrasou e só tomei um capuccino e umas bolachas antes da prova. Estava atrasado – às 9:30 ainda estava a pé e a 3 km do estádio – e tive que ir correndo. Pelo menos serviu de aquecimento. Cheguei e a largada já tinha acontecido, mas ainda tinha gente largando. Troquei de roupa e guardei tudo no guarda-volume mas perdi minha baia de largada. Saí atrás de mais de 20 mil corredores, uns 15 mil deles mais lentos do que eu. Sem jantar e sem café, já tinha decidido que iria correr só uns 10 kms e na segunda passagem perto do estádio eu iria desistir e abandonar a corrida. Como estava bem achei que podia ir um pouco mais, e assim de pouco em pouco consegui chegar ao final. Bem verdade que arrastando-me pela pista do estádio que nem uma lesma atravessando o asfalto quente. Levei 3 dias p/ voltar a andar sem tantas dores, mas valeu pela beleza da corrida, da cidade, das pessoas, e de tudo mais.
    Eu sabia que tinham 132 brasileiros correndo lá, mas achei que era o único que tinha passado por tantos azares na véspera da prova. Entendo perfeitamente o que passou, e receba meu respeito e solidariedade por ter vencido mesmo com tantos obstáculos que só tinham o objetivo de faze-lo fracassar. Só que sua garra e força mental foram muito maiores, levando-o à merecida medalha. Parabéns de novo.
    Abs.
    Luciano

    • Bruno Mansano disse:

      Olá Luciano,

      Obrigado pelo comentário. Essa história foi realmente emocionante, daquelas pra contar para os netos no futuro. Mas a sua história não fica muito atrás, gostei bastante.

      Você é de SP? Tem algum blog ou algo do tipo?

      Qualquer coisa pode me adicionar no msn, bhmansano@hotmail.com.

      Abs,
      Bruno

  15. Angelo disse:

    Bom dia Bruno,

    Meu nome é Angelo e cheguei ao seu “depoimento” porque estou procurando informações sobre a maratona de Amsterdam.
    Primeiro, quero te falar que o texto está sensacional e que você é um campeão, pois muitos teriam desistido e a maratona, através dos seus treinos, seja lá qual for a intenção de tempo, nos ensina a nunca desistir, isto é muito mais que uma simples corrida, é uma lição de vida. Só aqueles que já experimentaram sabe o que estou falando.
    Fiz minha primeira maratona no ano passado, em Buenos Aires, e a sensação após terminar a prova é realmente maravilhosa, mistura de alegria, dor, choro, saudade, enfim, uma grande mistura de emoções. Neste ano, nasceu meu sobrinho, filho do meu irmão e foi um parto complicado, passamos alguns dias bem turbulentos, que agora, passado 8 meses, graças a Deus é só alegria.
    Todas as vezes que passava pela minha cabeça a intenção de desistir, só me vinha a imagem do meu sobrinho, que tanto lutou por algo muito maior e eu ali sozinho, não poderia decepcioná-lo, apesar dele nem saber quem eu era. A prova toda foi para ele e lógico para mim também.
    Minha intenção seria fazer este ano a Maratona de Berlim, este é o meu sonho de consumo, mas infelizmente, quando fui fazer a inscrição, no dia 01/03/11, já estavam encerradas.
    Fiquei sem saber o que fazer, pois o plano vem desde o ano passado.
    Por sugestão do meu treinador, decidi fazer a Maratona de Amsterdam e como sou uma pessoa ansiosa e detalhista, estou a procura de informações, sobre a organização da prova, melhor local para ficar em relação a largada e se você recomendaria a prova a um grande amigo.
    Bom, não sei se estou sendo um chato, mas se puder me ajudar ficarei muito grato.
    Grande abraço e parabéns pela conquista.

    Angelo

    • Bruno Mansano disse:

      Olá Angelo, boa noite!

      Obrigado pelo comentário, sem dúvida essa foi uma experiência incrível, uma história pra contar para os netos! Gostei bastante da sua história também, realmente emocionante, mas acredito que são exatamente essas experiências que nos fortalecem e que nos fazem acreditar no que parece inacreditável.

      Sobre a Maratona de Amsterdã, sem dúvida alguma eu recomendo que você a faça, é uma prova com poucas subidas, muito organizada e sem dúvida alguma belíssima. Eu cheguei no dia anterior da corrida e fui de bicicleta buscar meu kit, a organização é impecável e não tive nenhum problema em encontrar o local, além de ter sido bem tranquilo pegar o meu kit.

      Eu fiquei em um dos hotéis NH Centre, que são bem confortáveis e tem um bom preço, basta você escolher o que melhor atende as suas necessidades em relação a localização.

      Eu só não vou fazer essa maratona novamente porque pretendo correr a de Chicago em outubro, mas sem dúvida pretendo fazê-la novamente.

      Boa sorte na sua decisão e não deixe de me contar as novidades.

      Abraços,
      Bruno

  16. Nathy disse:

    Sensacional!

  17. Renato Malagola Junior disse:

    Bruno parabéns…..fico emocionado em compartilhar contigo. Estou buscando pessoa para ir fazer a meia maratona de Amsterdan. Estou ancioso e quase desesperado.
    Me ajude. Grande abraço.
    Renato Malagola Jr.

    • Bruno Mansano disse:

      Olá, Renato, tudo bem?

      Vamos ver se eu posso te ajudar, você irá correr a Meia Maratona de Amsterdã agora em 2011?
      Não entendi muito bem pra que você precisa de outra pessoa.

      Abraço,
      Mansano

  18. Renato Malagola Junior disse:

    Bruno, de antemão agradeço sua resposta. A Meia Maratona é realmente de 2011. Com relação a compartilhar com outra pessoa é pelo fato de ter dificuldade da conversação (hotel/ambiente da prova, etc), haja vista que não domino o idioma inglês, ou melhor, o inglês é muito básico (ex. bom dia, pro favor, com licença, etc.). Isto é um grande impecílio, ou não é?

    • Bruno Mansano disse:

      Olá, Renato.

      Recomendo você procurar alguma assessoria esportiva que vá participar da Maratona, ou até mesmo procurar atletas que estão na mesma situação que você. Se você for de São Paulo, vale dar um pulo no Parque do ibirapuera ou na USP e conversar com o pessoal, com certeza você vai encontrar alguém.

      Abraço,
      Mansano

  19. […] passar o que passei e que teria desistido por falta de fôlego ou por falta de persistência (https://mansano.wordpress.com/2010/10/28/a-odisseia-da-maratona-de-amsterda/). E até chegar nessa maratona passei por tantas corridas que nem eu sei como aguentei, mas hoje, […]

  20. […] A odisséia da Maratona de Amsterdã | – WordPress.com – 28 out. 2010 … Sobre a corrida, tudo começou no dia anterior, cheguei em Amsterdã no … Como iria usar o GPS do relógio por 4h na maratona achei melhor deixar ele …. Dica valiosa pra próxima viagem: WAKE UP CALL DO HOTEL. […]

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